Lanny_principalSe você não se acha capaz de organizar a casa ou o escritório de ninguém porque não tem a organização de um militar, conheça a história da Lanny Bedasi e ateste que podemos começar uma profissão a qualquer momento, desde que tenhamos a-ti-tu-de para querer aprender, ousar e empreender. A Lanny é formada em Jornalismo e trabalhou por um bom tempo como assessora de imprensa em São Luís (MA). Decidiu parar de trabalhar fora depois que se casou e nasceu sua filha. Ficou cerca de dois anos sem atuar na área de Comunicação, até sentir vontade de retomar sua profissão. Foi pesquisar no Google sobre Comunicação Organizacional e encontrou Organização… de ambientes, Personal Organizer… Ela não sabe explicar por que aquilo chamou sua atenção, uma vez que não se considerava organizada o suficiente, a ponto de ensinar alguém a sê-lo. Conta que apenas seguiu seu instinto e foi pesquisar o assunto. E assim ela descobriu uma nova paixão pelo trabalho. Estudou tudo sobre o tema, fazendo, inclusive, formação em Coaching para somar às técnicas de organização, e participou de cursos e palestras com profissionais renomados, como a Micaela Góes, do programa de TV Santa Ajuda (GNT), e Helena Alkhas (EUA).

Ela diz que gosta tanto do que faz que não perde a chance de se aperfeiçoar. Já tem marcada na agenda a participação na terceira edição do Personal Organizer Brasil, que será em junho, em São Paulo. Ela afirma que encontrou uma profissão que oferece muitas recompensas e que a maior delas é ouvir o testemunho de seus clientes sobre a mudança de vida após a organização. “É mais do que arrumar a casa. Bagunça é energia parada. A vida flui melhor com espaços organizados e sem entulhos”, garante. O Amo Meu Trabalho foi saber como ela descobriu esta nova habilidade e quais as etapas de uma organização profissional.

Para ser uma Personal Organizer é preciso ser organizada? Você era?

É até engraçado, porque nem sempre fui tão organizada, porém a vida geralmente nos impõe algo chamado ‘tempo’, que acaba nos obrigando a tomar atitudes enérgicas. Para ser uma P.O., a pessoa tem que ter no mínimo senso de organização. Isso eu sempre tive. Mas, não sou a “louca da organização”, que deixa de curtir a vida para deixar tudo organizado. Eu aprendi as técnicas e minhas coisas são organizadas, sim, mas sem estresse. O natural é que o ambiente seja agradável, funcional para todos os que usufruem daquele espaço.

“Pesquisando Comunicação Organizacional no Google encontrei Organização Pessoal. Nada a ver com o que eu estava buscando, mas tudo a ver comigo”

Seu interesse pela profissão começou em 2010, quando ainda não se falava tanto em P.O. Por que o interesse para investir nesse tipo de serviço?

Teve uma época em que prestei serviços temporários na área de Comunicação Organizacional e gostei muito. Então, quando resolvi voltar a trabalhar, fui pesquisar no Google o que havia de novidades nessa área. Entre tantas ofertas para pesquisa, apareceu o Personal Organizer, que não tem nada a ver com o que eu estava buscando. Por curiosidade, eu cliquei e achei que tinha tudo a ver comigo, pois eu tenho a característica de ser pacificadora e uma casa organizada transmite paz. Hoje, o que eu mais ouço dos meus clientes é que a energia da casa mudou depois da organização, que ficou tudo mais leve. É isso mesmo. O ambiente organizado proporciona a fluidez. Não é bobagem. É sério.

Você viu as opções para formação na nova área e investiu de imediato?

Não. Foi aos poucos. Primeiro, eu comecei a ler tudo sobre o assunto. Neste momento contei com a mentoria de uma profissional maravilhosa, Bárbara Volnei, P.O. de Brasilia (DF), cujas orientações foram cruciais para minha nova jornada. Um ano depois, fiz um investimento maior em cursos no Rio de Janeiro. Voltei para São Luís e passei o primeiro semestre aplicando os conhecimentos e oferecendo meus serviços, de graça, aos amigos desorganizados (rs). Somente em agosto de 2012, depois de quase dois anos de preparação, lancei minha marca (Bedasi Organizer-www.bedasiorganizer.com.br) e aí muita coisa mudou, pois desenvolvi meu lado empreendedor. Fiz o curso de Formação em Coaching pela Sociedade Latino-Americana de Coaching (SLAC) e também posso me denominar Organizer Coach. Busquei essas ferramentas porque acredito que a bagunça externa tem a ver com a interna. Quando o externo está fora de lugar é porque tem alguma coisa internamente desalinhada e o coaching pode ajudar nisso.

Lanny com Micaela
Com Micaela Góes                (Santa Ajuda, GNT)

Quais as etapas de uma organização?

A primeira é a visita técnica. Vou ao local onde precisa ser organizado. Entrevisto a pessoa e vou analisando as necessidades dela. Não é apenas organizar. Eu preciso entender como ela vive. Por exemplo, eu tive uma cliente que estava estudando para concurso e não conseguia se concentrar no ambiente bagunçado. Ou seja, não era apenas uma questão estética. Ela precisava de um local que permitisse a concentração, que estivesse tudo à mão para o estudo. Nessa visita, eu pergunto como é o modo de vida da pessoa. Se for para organizar um closet, eu pergunto até se ela escolhe as roupas pela cor ou pelo modelo, se manga comprida, manga curta, etc. Até isso interfere na organização. O serviço é 100% personalizado. E só depois de ter as informações é que eu faço a minha proposta de organização. Se for aceita, aí que desenvolvo o projeto, pois eu emprego horas para desenvolver um projeto específico para a necessidade do cliente. Para se ter ideia, eu já gastei oito horas projetando uma organização de um quarto de casal e um escritório. Em uma cozinha com dependência, já gastei seis horas! Não é serviço glamouroso, é bem cansativo.

A proposta é feita por hora de serviços? Como saber quantas horas levará uma organização?

Minha proposta não é por hora, é por projeto. Existem profissionais que cobram por hora, mas entendo que existem vários fatores que interferem no meu trabalho. Preciso analisar se precisarei levar um assistente, a distância do trajeto, se precisarei fazer refeições externas, entre outros critérios. Quando me propus a trabalhar com P.O, eu defini para mim mesma que não quero que meu cliente volte a me contratar para organizar o mesmo ambiente. Então, eu ensino as técnicas para a pessoa que vai cuidar daquele local. Seja a dona da casa ou a empregada doméstica, a que for a responsável pela manutenção. O meu interesse é que a organização seja mantida e que o cliente me chame novamente, sim, mas para trabalhar noutro cômodo. Então, tenho esses diferenciais: trabalho personalizado, de acordo com o modo de vida do cliente, projeto e conhecimento compartilhado.

Você tem como estimar valores cobrados, do mínimo ao máximo?

Muita gente me pede mesmo uma estimativa, mas não posso fazer, pois depende da bagunça (rs).

Após a aprovação da proposta, qual o próximo passo?

Aí, vou passar uma relação de material que o cliente deve adquirir. Tudo simples, pois tenho o olhar econômico, de aproveitamento do que ele já tem. Às vezes, é preciso que ele adquira cabides novos, por exemplo.

“O que quero saber é se minha presença fez diferença na vida daquela casa. A vida flui melhor com espaços organizados e sem entulhos”

Tudo pode ser organizado? Ou tem situações em que você só pode resolver se for eliminada muita coisa do ambiente?

Só o que não pode ser organizado é entulho. O descarte é a alma do negócio. E ele entra na terceira etapa, na execução, depois que o cliente aprovou o projeto e adquiriu o material. Aí eu entro para iniciar o trabalho de organização.

Antes de você explicar a etapa da execução, tenho uma curiosidade. Você não corre riscos de ser acusada, injustamente, de furtar algum objeto, joias, etc? Como você se protege disso?

No meu contrato eu deixo claro que durante toda a execução eu tenho que estar acompanhada pela pessoa que vai manter a organização. E antes de iniciar o trabalho, peço que retirem tudo de valor. Sem negociação. Tem que retirar.  Ao término do serviço, faço questão que minha bolsa seja revistada antes de eu sair do ambiente. Não me sinto constrangida. Nunca sabemos se existe alguém de má-fé.

Lavanderia_antes e depois

Voltando ao descarte. Como convencer seu cliente para o desapego?

Esta etapa é muito difícil, pois muita gente fica presa a material antigo, como, por exemplo, atividades escolares dos filhos de anos atrás e que ela nunca mais vai ver. Ou roupas do dia a dia que estão há mais de um ano sem uso e que seria melhor doá-las ou acondicioná-las à parte. Passando essa fase da conscientização, temos três etapas no descarte: doação, conserto e lixo. O que dá para separar para conserto, aproveitaremos. O que for para doar, doaremos. Se não tiver para quem, eu posso me responsabilizar e doar para ONGs. Depois, temos que fazer a limpeza de todo o local para tirar o mofo e o cheiro.

Em seguida, entraremos na etapa da categorização. E para isso, uma regra: “família não pode estar separada” (rs). Prato tem que estar com prato, livro de Direito tem que estar com livro de Direito, brinco com brinco, e assim vai…Se o cliente quiser, posso fazer a identificação, mas é opcional. Numa biblioteca é bom etiquetar para saber onde estão os livros de tal assunto. A identificação é boa para o outro localizar de forma fácil. Para a secretária saber onde guardar a toalha de rosto, toalha de corpo. Mas nem todo mundo quer isso. E não é obrigatório. O mais importante é a manutenção. Se você tirar do local, deve devolver ao mesmo local. Depois de 30 dias volto para fazer minha visita de manutenção, para saber o que funcionou ou não, e posso adequar o que foi feito sem ônus nenhum. O que quero saber é se minha presença fez diferença na vida daquela casa.

Tem ambiente mais difícil de organizar do que outro?

Depende muito. Já organizei um closet que precisei solicitar 450 cabides novos, porque a cliente tinha muita roupa. Mas também tive um caso em que eu passei cinco dias só descartando coisas de um depósito. Mas há outros que organizo em apenas seis horas. Todos são desafiadores, mas o que eu quero é resolver o problema.

Home Office_antes_depois

Você não sente falta de trabalhar com Jornalismo, sua primeira área de formação?

O que eu aprendi no Jornalismo eu uso na minha profissão atual. Eu mesma escrevo os textos do meu blog e das redes sociais. Utilizo as técnicas de oratória nas palestras que faço e por aí vai. Acredito que todo conhecimento é valido. Hoje, estou realizada no que estou fazendo e tenho muitos planos para esta segunda profissão.